Refletizar

Vamos brincar com as palavras e textualizar a poesia sílaba por sílaba.

Próxima parada

É triste o exercício de depender do transporte coletivo de Curitiba. Embora considerado um dos melhores do país, com ônibus modernos, pistas exclusivas, linhas integradas e todo o blá blá blá que ouvimos no dia-a-dia.

E não critico (desta vez) a superlotação, o preço alto ou o mau atendimento recebido de muitos motoristas e cobradores. A minha revolta fica hoje por conta dos usuários. Se o antigo ditado, “se não pode vencê-los junte-se a eles” faz algum sentido, ele o faz na guerra louca que é o desembarque e embarque.

Aquela voz irritante que tanto nos habituamos a ouvir e imitar, que nos diz que ao embarcar nos ônibus devemos aguardar sempre o desembarque, está certa. Porém, em nossa mente, acredito que ela não consegue mais ser assimilada. Para exemplificar contarei um causo muito conhecido por quem convive comigo.

Desde que comecei a trabalhar, por volta do ano 2000, travo épicas batalhas para conseguir levantar da cama. Acontece que para evitar o inevitável, ativo de cinco em cinco minutos a função soneca do celular.

No inicio isso gerava irritação em toda minha família, que se via obrigada a acordar no mesmo horário que eu e ainda tolerar o toque irritante do celular despertando continua e ininterruptamente a cada fração de hora. No fim eu acabava levantando graças aos protestos de mães e irmãos.

Curiosamente após um certo tempo o pessoal acostumava com a situação e voltava a ter noites tranquilas, o que culminava em vários atrasos meus. Por esse motivo, de tempos em tempos obrigava-me a trocar o toque do alarme do celular, até que o ciclo descrito acima tivesse inicio e chegasse ao mesmo fim.

A conclusão que cheguei naqueles tempos, e que penso acontecer parecido com esses avisos ignorados ônibus  é semelhante, e deve ter algo de behaviorista, comportamental ao algo do tipo. Após certo tempo recebendo o mesmo estimulo, acabamos involuntariamente ignorando-o.

Não consigo pensar de momento em algo que explique melhor a dita situação, visto que todo dia esse embate de quem desembarca com quem embarca nos ônibus curitibanos piora, se agrava e faz vitimas. Mulheres, crianças, homens adultos e idosos, todos de alguma forma são prejudicados pela falta de tato deles mesmo.

O que fazer para melhorar está situação é a pergunta de hoje. Penso que talvez mudar a mensagem ou a forma como ela é transmitida pode trazer algum resultado, porém a única forma efetiva de garantir uma melhora nesta condição é a mudança de atitude das pessoas. De todas, inclusive a minha.

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Ontem eu não te amava

Eu não te amava antes, não.

Se amor é o que eu sinto hoje, o que batia no meu peito ontem é tão insignificante quanto uma decepção qualquer da infância. Se é tão imenso e continuo estar ao seu lado, é também calmo e terno o ritmo das batidas do meu sentimento.

Ontem eu era fraco, bobo, covarde. Ontem eu era já não sou mais. Agora sou corajoso guerreiro e grito: EU TE AMO! Ousadia tanta que desafio a exclamação a aparecer em meio às palavras. Te olhava e via um belo par de olhos, um sorriso encantador e a sua alegria de viver contagiante, te admirava. Não era amor, não poderia ser.

Eu te via ir e vir e tinha vontade de segui – lá para qualquer lugar do mundo, ao fim do mundo, até a próxima rua, até o próximo passo. Eu iria com você para onde quer que você sonhasse, eu achava que te amava, mas não. Amar-te eu amo hoje, tenho a mesma certeza que tinha ontem quando não era, e ante ontem quando tinha certeza de que envelheceríamos de mãos dadas por ai.

Te amo hoje e duvidarei desse amor amanhã, pois cada segundo ao seu lado, no seu cabelo e no seu corpo eu descubro que tudo que havia uma hora antes ainda existe, mas é apenas uma célula do que é o atual sentimento.

Hoje te olho e vejo calma e paz. Vejo meu futuro, meu presente e minha alegria. Quando estou ao seu lado é como se mergulhasse no mais profundo e inóspito abismo. Como se dominasse algo que o homem tenta há tempos encontrar, mas não tem coragem de viver. Mas hoje eu sou forte! Hoje te amo.

Amanhã não sei, te amarei mais, ou ainda mais ou talvez te ame de um amor novo.

Quem sabe amanhã eu descubra algo inédito e apaixonante na vida, perceba que suas sardas, seu cabelo e seu cheiro me encantam. Provavelmente eu te veja dormindo e tenha certeza que estar ao seu lado é sonho, meu e seu.

Hoje eu sou ousado, sei que nossos corpos se encaixam, sei que sua cintura sempre tem o tamanho exato das minhas mãos, e seu abraço o conforto certo para o meu corpo. Ontem eu não sabia, mas hoje eu sou seu.

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Texto para dois dias antes de casar

Tão maravilhoso pensar que o homem demorou milhares de anos até chegar em um nível de comunicação instantânea, que permitisse o dialogo mesmo distante, esses avanços popularizarem-se e chegarem até nós. Maravilhoso toda a história até hoje ter conspirado para que nascêssemos no mesmo país, no mesmo estado e na mesma cidade.
Lindo pensar que Deus já havia traçado nossa história nos sete dias da criação do mundo, e em algum instante do seu divino pensar olhou por nós e disse:
Eis que te farei Jefferson para essa mulher. Eis que te farei Claudia para este homem.
Fantástico olhar para o relógio e saber que todo o tempo já passado no mundo teve também como propósito nos unir.

Fico imaginando que força é essa que nos apresentou, nos aproximou e nos uniu até esse momento, guiando os passos de um na direção do outro. Chego à conclusão de que o que nos uniu foi o amor. Mas não um amor qualquer, desses banalizados por ai. Um amor impar, sincero e puro, desses que permanecem eternos na essência do homem e que hoje vive em nós.

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EM NOME DA ARTE

Hoje resolvi fazer algo que de tão diferente às vezes parece comum, resolvi te escrever sobre você, sobre mim e sobre nós. Eu com essa minha mania de dizer que escrevo, que gosto de escrever e que escrever é, sobretudo minha forma de arte às vezes esqueço que o motivo primeiro da existência dessa arte, de cada letra ou palavra é e foi sempre você.

Foi você quando em algum momento da vida eu descobri os livros e aprendi com eles que a vida pode ser bela, que o amor pode dar certo e que o dia é da cor que a gente pinta. Foi você porque minha vida era repleta de preto, cinza e tons pastel, mas ai era você chegando com amarelo, e roxo, me deixando fascinado pelo verde. De uma hora para outra o verde  dos seus olhos tornou-se a mais bela  das cores, a mais atraente e vibrante, a preferida.

Era arte antes até de a gente ser. Eu observava a lua, o céu e você lá a amar as estrelas. Estávamos os dois admirando a mesma noite, dividindo sem querer o céu em dois. E hoje vejo que, como se fosse um quebra cabeça montado o céu é um só, a noite é uma só e brilha como nós. Posso dizer que somos um só, unidos num mesmo, enorme e radiante amor.

E olha que fantástico, nessa fase em que falar em amor virou quase  rotina, tenha mais e mais certeza que é essa mesma a palavra que merece ser repetida por nós, cada segundo que passa percebo que nosso amor se torna ainda mais amor, que não é só uma palavra dita ou escrita para satisfazer o outro.

Nosso amor mora no sorriso, aquele que você deve adorar ver estampado e feliz no meu rosto, aquele que ascende até o olhar quando você chega, e quando você fica e quando você absorvida pelo mesmo sentimento retribui com os olhos brilhando e o sorriso sorrindo. Sabe, eu desconfio que esse nosso sorriso também seja uma forma de arte.

Estar intensamente apaixonado por você apaixona. Estar apaixonado é o primeiro passo para nascer o amor, e veja só, em mim o amor já nasceu e a paixão continua, toda serelepe me enchendo de saudade de tudo que é bom, e tudo que é bom é quase sinônimo de você. Encontrar inspiração é sempre difícil, mas basta eu pensar em ti para mergulhar num estado diferente, num universo de idéias e vontades.

Mais ou menos um ano atrás estávamos abraçados passando frio na frente da sua casa e mesmo assim era o frio mais gostoso que já sentimos, eu esquentava as mãos nas suas roupas e você ficava ali comigo sem vontade de me deixar ir embora, queria que você soubesse que eu também, eu também não quero te deixar nem no frio, nem na noite, nem no verão, nem de manhã, nem na velhice, nem na chuva, nem no sucesso, nem na neve, nem nunca. Se me aparecesse um gênio da lâmpada e eu pudesse fazer 3 pedidos, eu pediria você, três vezes porque sou guloso, porque quando gosto quero muito, quero em dobro, quero em triplo.

E a arte nessa história se perde, passa quase despercebida. Como um fundo musical perfeito, ou uma paisagem harmônica, brota tão naturalmente que nem nos damos conta que ela está ali o tempo todo, deixando nossos dias mais bonitos, mais fofinhos, mais cheios de nós.

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É IMPORTANTE!

Talvez seja difícil compreender a razão, se não ganho nada ao faze-lo, racionalmente talvez nem faça sentido mesmo, me sinto bobo tentando explicar o porquê disso ou daquilo, tentando mostrar que tem valor, que é bonito, mas esbarro sempre na real utilidade disso tudo, e meus textos tenho de admitir talvez não tenham utilidade alguma.

“Talvez esse homem seja mesmo um tolo. No entanto, é menos tolo que o rei, que o vaidoso, que o empresário e o beberrão. Seu trabalho ao menos tem um sentido. Quando acende o lampião, é como se fizesse nascer mais uma estrela, ou uma flor. Quando o apaga, porém, faz adormecer a estrela ou a flor. É um belo trabalho. E, sendo belo, tem sua utilidade.” (O Pequeno Príncipe)

Nem sei se posso dizer que o que escrevo é belo, mas sei que é sincero, é verdadeiro, tem importância, tem utilidade para mim. A cada letra é como se eu fizesse nascer algo que ainda não havia sido feito ou pensado. É meu modo de brincar, de chorar, de sorrir, escrever é me sentir único.

Acho que as palavras andam comigo de antes d’eu nascer, e de algum modo, desde o útero ajudaram a me construir, hoje sei que não seria quem sou se não tivesse descoberto a poesia ainda criança, agradeço a Deus pelo meu desejo de biblioteca ser maior que o desejo de tantas outras coisas.

Escrever é meu modo de me sentir artista, ler poemas me dá uma louca vontade de ser poeta, dá vontade de fazer sorrir na alma do outro o verso, assim como acontece comigo. Palavras no papel são como um banho por dentro, limpeza pesada silaba por silaba.

Amo tanto os livros, tanto que dá vontade de ser livro, se amo tanto escrever é porque mata minha vontade de ser livre. Desconheço o fim da linha, o ponto final, jamais me deixarei limitar ao parágrafo.

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AO TINGIR DO SOL

Desabam sobre mim estrelas como se fossem pingos de chuva. Quebram no asfalto como vidro e brilham esfareladas até diluírem-se.

Inundam todo corpo, espaço e tempo. No céu abrem-se rachaduras enormes, cristal que aos poucos vai se partindo, a noite cede. A escuridão vai sendo ocupada por raios – quase trovões – de luz.

As estrelas liquefeitas tornam-se sangue e começam a preencher as ressecadas veias. Faz-se vida onde nada havia, poesia onde havia falta, pausas musicais onde havia silêncio.

A claridade cega. É como se as cores todas caíssem ao chão e reluzisse ao longe um horizonte monocromático.

Atiro o sono com tanta força que rompe minha bolha de sabão. Não há dor. Livre observo meu corpo sem alma, meus suspiros frios, minha auto-saudade.

Eis um segredo intimo: eu coexisto. Meus sonhos são satélites de mim.

Acordo.

Lá fora o Sol em tons de laranja ocupa o posto deixado pela Lua.

O que seria vazio se enche de cor.

 

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E SE EU ACORDAR?

Escalei nuvens até Saturno, enfeitei um de seus anéis com estrelas mais brilhantes que o Sol. Criei pulseiras para Andrômeda, brincos para Três Marias, colar de constelações e um pingente com a Cruzeiro do Sul.

Fiz casaco de pele da Ursa Menor, da Maior eu tive medo. Pintei Vênus e a deixei radiante Estrela D’alva.

Com asteróides rabisquei cometas nalguns buracos negros, apaguei os erros com meteoros e inventei a poeira cósmica. Embrulhei tudo em uma galáxia, pus de baixo do braço, parti para a Lua. Entre os quartos escolhi o minguante. Escondi tudo e peço segredo.

Quis compor o Uni-inverso, tracei um paralelo no caminho para a Via Láctea, encontrei uma nebulosa e tropecei em uma órbita qualquer.

Estou caindo. Não sei se da cama, ou de algum lugar do céu.

 

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ASPIRAÇÕES DE UM MENINO LIMPO

Enquanto as estrelas banhavam-se de luar aprisionei-as na janela. O vento soprou nuvens para proteger as constelações que fugiram.
Nuvem parecia camaleão às avessas. Virou bicho, virou coisa, encantada, virou gente. Ficou brava, escureceu e fez chuveiro.

Espuma do mar e bolha de sabão tem nuvem feita em casa dentro da banheira.
Enquanto as estrelas brilhavam de tão limpas, eu quase descobri o segredo das nuvens.

 

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HERÓI DE GUERRA

Observo tudo de longe
Contente sigo minha trilha
Pois quanto reflete a lua
O mar também brilha.

Cruza o céu estrela cadente
Mais um pedido a ser feito
Explode no chão meu sonho
De viver num mundo perfeito.

Nem tudo que brilha vive
E isso me conforta
A Lua não tem luz própria
Há estrelas que brilham mortas.

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